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NOTA PÚBLICA Do Conselho Estadual de Direitos do Idoso (CEDI) do Estado do Ceará

NOTA PÚBLICA

O Conselho Estadual de Direitos do Idoso (CEDI) do Estado do Ceará vem expressar a sua preocupação acerca da nova lista de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID).

Primeiramente, você sabe o que essa sigla significa? Como o próprio nome sugere, a CID é o registro estatístico no qual, diversas doenças e sintomas são organizados, padronizados e assim é possível identificar e monitorar transtornos, lesões, doenças e causas de mortes a nível global.

A CID10, que está em vigor desde 1990, foi atualizada para CID11 na 72º Assembleia Mundial da Saúde, que aconteceu em maio de 2019, e essa entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022. A nova lista apresenta características atuais e avanços em Ciência e Medicina, mas chamamos atenção para o código MG2A que classifica a condição de velhice como doença. Acreditamos que essa concepção parte de uma ideia que estigmatiza ainda mais a Pessoa Idosa e faz com que essa população seja mais discriminada pela idade etarismo, idadismo, ageismo).

Tal ideia reducionista fará com que a velhice seja classificada como sintoma de doença e assim o profissional médico, conforme o CID11, poderá “diagnosticar”, logo estaremos sujeitos a profissionais da área de tratamentos antienvelhecimento e a exploração da indústria farmacêutica.

O Dr. Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade – BR, diz: “eu vou morrer velho, mas não vai ser de velhice e, sim, de uma causa identificada.

Existe sim um idadismo no Brasil, um país que envelhece muito rapidamente em um contexto de pobreza e nós precisamos estancar isso. ”Profissionais da saúde e da gerontologia manifestaram-se afirmando que velhice não é uma doença e, sim, uma condição humana, faz parte de nossa existência. Beltrina Côrte, no Portal do Envelhecimento e Longeviver, em parceria com a Dr.ª em Saúde Pública Ruth Gelehrter Costa Lopes, publicou um artigo no qual enfatizam que “[…] a doença não é o único destino das nossas velhices. Podemos ‘estar doente’, mas não sermos um ‘ser doente’, tão somente porque ficamos velhos.” (Disponível em: https://www.portaldoenvelhecimento.com.br/a-velhice-e-uma-doenca/).

Outro questionamento que aqui fazemos: quem é velho? No Brasil, oficialmente, considera-se idoso quem tem idade igual ou superior a 60 anos, mas em países desenvolvidos, idoso é quem tem mais de 65 anos. Hoje, cerca de 15% da população brasileira tem 60 anos ou mais e as projeções mostram que até 2050, cerca de 1/3 da
população brasileira será composta por idosos.

Nós, que atuamos com o envelhecimento e os Direitos da Pessoa Idosa, ficamos estarrecidos com esse retrocesso, portanto, em consenso com todo o colegiado da atual gestão do CEDI (2020-2022), expressamos estas considerações.

“O jovem tem dentro de si o desafio de talvez envelhecer” (KALACHE, 2021).
É uma luta de todos, não só dos mais velhos. VELHICE NÃO É UMA DOENÇA!

Fortaleza, 28 de junho de 2021.
CONSELHO ESTADUAL DOS DIREITOS DO IDOSO – CEDI Ceará.